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Escrever em um "livro com páginas em branco"

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Recordo dos primeiros dias em que "finalmente" acessei a primeira natureza do sistema Ving Tsun. Si Suk Ursula Lima conduziu os primeiros encontros do domínio Siu Nim Tau, e a única coisa que conseguia pensar era que a caminhada seria muito longa, além de que corridas levariam a morte prematura. Ali, quando eu achava estar uma história a partir de tudo que eu estava captando e desenvolvendo, vejo hoje que na verdade era apenas uma preparação, uma instrumentalização. Não deixar de ser já um processo de escrita, mas se assemelha mais a um rascunho em alguns papéis avulsos. Minha Si Suk, Ursula Lima, e meu Si Fu, Julio Camacho Ninguém escreve história alguma sem ter onde escrever, tampouco quando decide escrever sai por aí rabiscando paredes. Além disso, para escrever uma história é necessário saber escrever e querer fazer algo com essa história ou a partir da escrita. Sem propósito não é preciso aprender, nem escrever, nem mostrar. Digo tudo isso, pois, após mais de 10 anos ini

Quem me ensinou as vantagens de ser paciente

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Quando encontrei o antigo núcleo Barra da Tijuca da Moy Yat Ving Tsun através de um anúncio online e iniciei minha experiência com o “Kung Fu” – como eu chamava à época –, fui acolhido por Ursula Lima, atualmente mestre e líder da família Moy Lin Mah. Percebi logo nas primeiras práticas com o Ving Tsun Experience que ela era a principal representante da família Moy Jo Lei Ou, liderada pelo meu futuro mestre, Julio Camacho, e irmã Kung Fu do mesmo.   Mestra Ursula Lima e Mestre Sênior Julio Camacho Todos os desafios de estar a frente de uma instituição e de uma arte que tinha grande parte do seu reconhecimento no Brasil por filmes de ação, golpes e acrobacias, além de tradicionalmente conduzida por homens, foram por ela encarados com muita leveza. De algum jeito, mesmo que ela não falasse durante longos períodos, percebi, por sua postura, que ela era muito forte e que sabia aguardar o momento certo para falar a coisa certa. A postura de Ursula Lima desfez sutilmente qualquer encantame

Chi Sau is not an agreement between gentlemen

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Chi Sau is, to some extent, an agreement between two people who will, through varying the grip of the arms, perform coordinated movements between upper and lower limbs. Whether used as a technique learning tool or viewed from the outside by the inexperienced, Chi Sau looks like just an agreement.   But Chi Sau is not an agreement between gentlemen, much less an invitation to dance. Chi Sau is the opportunity that the system provides for the practitioner to experience the condition of being someone who, first, can be hurt, and then hurt. At a high level, it is the opportunity to experience the possibility of dying or killing. In this order.   However, no one needs to be hurt, hurt someone, die or kill to experience the human development that vulnerability and lethality offer. Like babies and children, who feel helpless in the face of a world full of unpredictability and other threatening living beings, the first times we do Chi Sau we feel fragile. The human body remains fragile

Chi Sau não é um acordo entre cavalheiros

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O Chi Sau constitui, em alguma medida, um acordo entre duas pessoas que vão, através da variação da aderência dos braços, realizar movimentos coordenados entre membros superiores e inferiores. Se utilizado como ferramenta de aprendizado de técnicas ou se visto de fora pelo inexperiente, Chi Sau parece apenas um acordo.   Mas Chi Sau não é um acordo entre cavalheiros, muito menos convite para dançar. Chi Sau é a oportunidade que o sistema fornece para o praticante experimentar a condição de ser alguém que, primeiramente, pode ser ferido, e, posteriormente, ferir. Em alto nível, é a oportunidade de experimentar a possibilidade de morrer ou matar. Nesta ordem.   Contudo, ninguém precisa ser ferido, ferir, morrer ou matar para experimentar o desenvolvimento humano que a vulnerabilidade e a letalidade ofertam. Assim como os bebês e crianças, que se sentem desamparados diante de um mundo repleto de imprevisibilidade e outros seres vivos ameaçadores, nas primeiras vezes que fazemos Ch

Guarda

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Quais os potenciais em cada uma das situações que estamos colocados? Para responder essa pergunta com precisão é necessário estar em atitude de disponibilidade para transição, ou em guarda. Grão Mestre Leo Imamura demonstra no YouTube, em guarda, a guarda do Ving Tsun Guarda não é apenas uma posição. Ela é, em essência, a realização corpórea de uma não-posição por localizar-se no ponto intermediário da transição entre diferentes cenários e seus potenciais. Eu, irmãos Kung Fu Roberto, Guilherme, Claudio, e nosso Si Fu Se todo cenário conserva uma disposição que lhe é própria e simultaneamente se transforma por ser movimento de realização dos potenciais nele contido, é pela integração da guarda a todos os meus movimentos que me faço um leitor-ator perspicaz nesse cenário e posso responder à pergunta. Eu, em posição de guarda, mas fora da guarda

O curso da energia e o marco

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A ideia de que a realidade é movimento para mim é fascinante. Antes de iniciar o Baat Jam Do, a divisão de um movimento qualquer em várias partes a serem estudadas, estanques umas das utras, me parecia fruto de uma arbitrariedade sem fundamento. "O movimento precisa sempre conectar com o próximo", era meu mantra. Mas hoje vejo que a arbitrariedade dos marcos é minha principal aliada, pontos de virada na energia do movimento. O movimento não "precisa" se conectar, ele vai se conectar com o próximo, queiramos ou não. Caso contrário, matamos sua energia. Ora, se todo movimento é energia, e como a energia se transforma no seu curso, isto é, sofre alterações na sua qualidade e na sua quantidade após interagir com o meio, a única maneira de perceber essa energia é quando ela se transforma em sua interação. Os marcos são lupas humanas, arbitrárias, em certos pontos. Um sistema de desenvolvimento de Kung Fu aponta, através de diversas arbitrariedades, ou marcos, certos mome

Quando o hábito se transforma em arte

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Temos muitos hábitos. Alguns deles pouco instintuais, como escovar os dentes, vestir-se de acordo com o contexto, dirigir automóveis, pintar quadros, realizar postagens em blogs, entre outros. Arte da pintura, foto do Patriarca Moy Yat O hábito não transforma o complexo em simples, mas ao ser adqurido por um esforço consciente pode alcançar o nível de arte, de um meio para a exposição de uma excelência pessoal. Quando alguém olha um artista, tudo parece simples. Mas um observador adulto sabe que essa simplicidade é apenas aparente, que na verdade é resultado do trabalho. Como artista marcial, a busca por ser excelente em uma atividade qualquer, que também pode se elevar a arte, é expressão do Kung Fu desenvolvido pelo sistema Ving Tsun. Lançamento do livro Tao do Surf. Na foto, o autor, Mestre Sênio Julio Camacho O hábito vindo das postagens frequentes do meu Si Hing Thiago Pereira no atual "A Journey of Ving Tsun Life", antigo "Blog do Pereira", me faz pensar como