A extensão da prática para a conduta

Desde que ouvi pela primeira vez meu Si Gung, grão mestre Leo Imamura, falar sobre "extensão para a conduta", em 2009, senti-me motivado a pensar como as práticas corporais realizadas no Mo Gun e as conclusões que cheguaria poderiam estar ligadas ao meu dia-a-dia.

Cena do filme Karatê Kid (2010)
Cena do filme Karatê Kid (2010)

Lembro que perguntei alguns meses depois a um Si Hing sobre o que ele sabia do assunto, e ele disse para mim que o treinamento com o bastão, por exemplo, poderia ser desdobrado em algo como limpar as teias de aranha do teto com a vassoura. Não me convenci inteiramente do que ele estava falando. E apesar de não discordar, achei que haviam limitações naquele tipo de "extensão para a conduta". 

Antigo Mo Gun do Recreio/Barra da Tijuca

Com o passar dos anos, vi que sofri uma espécie de "calote". Iniciei o Ving Tsun Experience pensando que depois de alguns meses saberia agredir pessoas com golpes prontos treinados até a exaustão. Descobri, entretanto, que agredir alguém com golpes pré-treinados era tão limitado quanto "treinar" o movimento de Piu Sau ou o bastão tirando teias de aranha do teto. Hoje penso que a marcialidade está em tudo, no agredir ou no afagar. Uma palavra, um silêncio, até a maneira de preparar antecipadamente uma ação agora contém marcialidade para mim. 

Eu e meu Si Fu, Julio Camacho, em 2013

O que antes era um esforço de "extensão para a conduta", transformou-se em uma conduta em ato no meu próprio corpo. Estender para a conduta é pleonasmo. A extensão é a conduta, que precisa do corpo para ter palavra e gesto. O corte feito com uma faca afiada pode significar desde um ferimento bem infringido quanto um abraço que acolhe e conforta alguém inquieto. Uma propensão, dois alvos. 

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