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Quando o hábito se transforma em arte

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Temos muitos hábitos. Alguns deles pouco instintuais, como escovar os dentes, vestir-se de acordo com o contexto, dirigir automóveis, pintar quadros, realizar postagens em blogs, entre outros.O hábito não transforma o complexo em simples, mas ao ser adqurido por um esforço consciente pode alcançar o nível de arte, de um meio para a exposição de uma excelência pessoal. Quando alguém olha um artista, tudo parece simples. Mas um observador adulto sabe que essa simplicidade é apenas aparente, que na verdade é resultado do trabalho. Como artista marcial, a busca por ser excelente em uma atividade qualquer, que também pode se elevar a arte, é expressão do Kung Fu desenvolvido pelo sistema Ving Tsun.O hábito vindo das postagens frequentes do meu Si Hing Thiago Pereira no atual "A Journey of Ving Tsun Life", antigo "Blog do Pereira", me faz pensar como Kung Fu é de fato esforço paciente, que quanto mais alto o nível, mais sutil se torna. Sinto a sutil e fundamental influên…

Quando a palavra é corpo inteiro

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A arte do leitor ou do ouvinte é perceber o que sutenta a palavra
Se mão, se a perna, se outra parte, se o todo
O emissor se faz presente por inteiro?
Arbitrariamente se divide?
Intencionalmente se divide?
A arte assim pode diferenciar arte de técnicaQuando falo, escrevo, posso dominar a técnica do bem-falar ou do bem-escrever
Entretanto, falar por palavras pode estar restrito a uma parte do meu corpo
Se sei manipular, sei segurar e soltar letras
Se sei andar, sei também caminhar pelas frasesFalar com o corpo por inteiro é muito especial
Com meu corpo ando, pego, transpiro, pisco, respiro
A palavra todo-corpo não é abstração
é testemunha possuída pela palavra
no papel ou no ar Transita em dois mundos
A abstração pode representar
Mas a representação pode enganar
Como corporificada por inteiro, a palavra é ato e testemunha, é fato
Há mais cabeças sem mulas por aí do que mulas sem cabeça



A extensão da prática para a conduta

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Desde que ouvi pela primeira vez meu Si Gung, grão mestre Leo Imamura, falar sobre "extensão para a conduta", em 2009, senti-me motivado a pensar como as práticas corporais realizadas no Mo Gun e as conclusões que cheguaria poderiam estar ligadas ao meu dia-a-dia.Lembro que perguntei alguns meses depois a um Si Hing sobre o que ele sabia do assunto, e ele disse para mim que o treinamento com o bastão, por exemplo, poderia ser desdobrado em algo como limpar as teias de aranha do teto com a vassoura. Não me convenci inteiramente do que ele estava falando. E apesar de não discordar, achei que haviam limitações naquele tipo de "extensão para a conduta". Com o passar dos anos, vi que sofri uma espécie de "calote". Iniciei o Ving Tsun Experience pensando que depois de alguns meses saberia agredir pessoas com golpes prontos treinados até a exaustão. Descobri, entretanto, que agredir alguém com golpes pré-treinados era tão limitado quanto "treinar" o mo…

A humanidade no movimento feito solitariamente

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Desenhar o movimentoRepetir
Correto? Verificar
Vai ficar melhor! Repetir Correto! Correto?
Novamente! Dúvida. Correto!? Aguardar



É hora de mostrar! Anseio A mente esvazia Errei!
Se não há outro,  nem mesmo virtual, não há erro, nem acerto.
Movimentar sem outro é simular o outro
Desenhar o outro de mim para estar melhor preparado para encontrar o outro do outro






Montagem da sequência

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Há um sequência que se montaum tipo de tendência corpo humanoque quando falta algo, desmontamas onde vou achar aquela peça?nela não vem escrito 1, 2, 3, ...Cada novo encontro tudo desmonta

reencontro minhas peçascom orgulho apresento meu corpo,montadojoelho no pescoço!cabeça no ombro!pé no abdomen!remonto...

se o erro estava na peça 100 mas montei até a mil,desmonto até a 99para depois continuar.Entretanto, quase sempredescubro que o erro estava na 1ou antes.

A medida dos passos

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Andar para mim é a capacidade de pontuar, como em uma frase
À primeira vista tudo parece ter início e fim,
mas antes do início e do fim há o que possibilitou o início e uma marcação do que seria o fim.

Estabelecer pontos de início e fim em cada movimento é  também a potencialidade e a limitação humana de agirmos por um corpo.
O corpo limita, mas também é o único ponto de partida sem ele não há chegada
Um passo não pode ser maior do que as próprias pernas,
Ao menos que já seja salto E o segundo passo só é "segundo" porque há arbitrariedade do
início e fim porque há corpo
Porque defino já definido





A guarda e a técnica

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É comum entre os treinadores a ideia de que a repetição máxima traz o progresso técnico máximo.

Hoje a técnica tornou-se subtração para mim, pois ela me entorpece daquilo tudo que me afasta do movimento como tendência e propensão.

Mas o saber lidar com a novidade permanente exige de mim uma guarda permanente.

O caminho da construção da marcialidade é desenhado no mapa do instante vivido, na consciência de que o menor erro pode causar em mim ou no outro danos que não pude antecipar.


Posicionamento para aceitar o cenário, adequando-me.

Prontidão para seguir adiante na transformação que não se encerra.

Transformar-me encontrando o potencial naquilo que se transforma para nele estar por inteiro.

Se a guerra é o dano levado ao limite da impossibilidade da força inimiga manter-se em combate, hoje posiciono-me para ao longo do acaso encontrar nele o potencial de minha permanência como força combatente.


O que guarda a técnica se a guarda como técnica se transforma em técnica da guarda?